Vivemos numa era de informação fluida, de conectividade global, de virtualização da realidade e de realização do virtual. Numa era de multidões umbilicalmente ligadas à Internet, em uma multitude de interações frenéticas, intensas e aceleradas, em sua maioria dispersas e fugazes. Vivemos o momento histórico de uma revolução social nas formas de interagir, alimentar e realimentar as ideias, as crenças, os valores e a realidade. É a revolução sociodigital!

Assim como no passado, as alterações que a atual revolução introduz na sociedade geram grandes instabilidades e turbulências. A ainda infante nova-era da humanidade fez ressurgir alguns fantasmas, com crescentes extremação política e radicalismo. A capacidade de congregar à distância pessoas que compartilham de uma mesma visão de mundo, ao invés de promover o debate construtivo de soluções, vem criando grandes ilhas ideológicas e tornando a convivência com o diferente algo intolerável, não apenas no mundo virtual, como também no real.

Associado ao crescente radicalismo ideológico, há um grande descontentamento com o sistema político, o qual é percebido como fisiológico, corrupto e distante dos reais problemas da população. Uma desilusão completa, que abre espaço para o esvaziamento dos fóruns de deliberação política e a desistência da busca por soluções coletivas e equilibradas, com enorme potencial para o ressurgimento de soluções totalitárias, apolíticas e antidemocráticas.

É nesse contexto social e político que surge o Movimento Flux, o qual propõe o uso da interconectividade da Internet como ferramenta para reformular a prática e o sistema políticos.