Nenhum sistema de votação é perfeito, cada um tem seus prós e contras. Há, basicamente, dois sistemas principais: i) majoritário, no qual são eleitos os candidatos mais votados dentre todos, e; ii) proporcional, no qual é definido um quociente eleitoral (dividindo-se os votos válidos pelo total de cadeiras em disputa) e são eleitos os candidatos mais votados de cada legenda (partido) em número correspondente à quantidade de vezes que a soma dos votos recebidos pelos candidatos daquela legenda supera esse quociente.

O sistema majoritário privilegia os candidatos em detrimento dos partidos. O sistema proporcional, inversamente, privilegia os partidos em detrimento dos candidatos. Nos pleitos para eleger Deputados e Vereadores, nenhum desses extremos é desejável. O primeiro eleva o custo das campanhas e diminui a representatividade dos partidos. O segundo, a seu turno, pode levar à eleição de candidatos com pouquíssimos votos, “puxados” por outros do mesmo partido ou coligação que tiveram mais votos.

Assim, o ideal é um meio-termo entre esses dois sistemas, chamado voto distrital misto. Nele, o eleitor vota duas vezes, uma no candidato de sua preferência dentro do respectivo distrito e outra no partido. Metade das vagas vai para os candidatos eleitos diretamente, por maioria simples (sistema majoritário), e a metade restante é preenchida de acordo com o quociente eleitoral e as quantidades de votos obtidas por cada partido (sistema proporcional).

O voto distrital, com a subdivisão de Estados e Municípios em diferentes distritos e a votação dos eleitores apenas em candidatos do próprio distrito, leva a um menor número de candidatos por distrito. Com isso, os eleitores podem avaliar melhor os perfis e as propostas de cada candidato antes do pleito, bem como cobrá-los com mais efetividade após eleitos.

Ademais, o custo das campanhas também é drasticamente reduzido, pois as disputas são realizadas entre menos candidatos e restritas à área e à população de cada distrito, o que contribui para diminuir a influência de empresas e grupos de interesse no processo eleitoral.

A delimitação dos distritos, naturalmente, ficaria a cargo dos respectivos Tribunais Eleitorais.