O exercício de um mandato eletivo, antes de tudo, deve ser uma honra para o mandatário, não um privilégio. Deve constituir-se numa verdadeira entrega do seu seu ocupante em prol da coletividade, não em benefício próprio.

Desse modo, a passagem do político por um determinado cargo deve ser algo temporário, durante o qual, ciente de que terá aquele único mandato para demonstrar sua competência, o mandatário deve se esforçar para conduzi-lo de acordo com o melhor de suas capacidades. Se for bem-sucedido nessa missão, pode postular, na eleição seguinte, sua candidatura a um cargo de maior envergadura do que o anterior, de modo a poder contribuir ainda mais com a sociedade. Se não for, deve ceder o cargo a novos postulantes.

O meio político reconhece que a reeleição é mais prejudicial do que benéfica. Tanto que está em discussão, no Senado Federal, a reinstituição do fim da reeleição no Executivo[1], conforme vedação presente no texto original da Constituição de 1988, mas que havia sido alterada por meio da Emenda Constitucional 16/1997 (CF 88, art. 14, § 5º). A única ampliação aqui é a defesa da extinção do instituto, também, no que tange aos cargos do Legislativo.

As justificativas são estritamente as mesmas para ambos os poderes. O fim da reeleição, além de diminuir o chamado “carreirismo político” e os “políticos profissionais”, atraindo para a vida pública cidadãos vocacionados e bem-intencionados, contribui para a maximização das contribuições dos mandatários e para a renovação dos candidatos e a oxigenação das ideias e das propostas, o que, na política, é algo extremamente saudável. Devem ser abolidas, também, as reeleições para os cargos internos da Câmara e do Senado que ainda o permitirem.

Ademais, é fato que, numa eventual disputa eleitoral, o atual ocupante do cargo têm vantagem sobre novos postulantes, muitas vezes chegando a, em detrimento da sociedade, desvirtuar os propósitos do mandato atual com vistas a tentar aumentar suas chances de conseguir ser reeleito. E isso sem contar o fato de que, enquanto volta suas preocupações para a reeleição, o mandatário naturalmente relega a segundo plano os deveres do cargo que atualmente ocupa.

[1] http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/04/13/limites-a-criacao-de-partidos-e-fim-da-reeleicao-no-executivo-vao-a-plenario