Para os cargos do Executivo, faz sentido a figura do vice, eleito na mesma chapa do titular, com vistas a substituí-lo durante os vários afastamentos, geralmente de curta duração, tais como, por exemplo, eventuais viagens.

Por outro lado, no que tange aos Senadores, os afastamentos são, via de regra, de maior duração, em virtude de nomeação do titular para ocupar cargo de Ministro de Estado ou de Secretário Estadual. Desse modo, ao invés de dois nomes quaisquer definidos pelo partido ou pelo próprio candidato, não raro, inclusive, parentes seus, faz bem mais sentido eleger como suplentes os candidatos mais votados no pleito, na sequência. Idealmente, sequer se precisaria de dois suplentes (CF 88, art. 46, § 3º), bastaria um.

Assim, em eventual afastamento do titular, ocuparia a vaga o próximo mais votado e não um suplente qualquer que, a bem da verdade, não recebeu nenhum voto na eleição. Além disso, tendo em vista as filiações partidárias dos candidatos eleitos para a suplência, teriam que refletir melhor tanto os mandatários do Executivo antes de convidar os Senadores para exercerem cargos nesse Poder quanto esses últimos antes de aceitarem os convites. Em caso de suplente único, este teria que refletir ainda mais, tendo em vista que, se aceitasse, estaria deixando seu Estado, até as próximas eleições, com uma cadeira a menos no Senado.

Da forma como se dá atualmente a escolha das suplências, não raro elas são taxadas de “capitanias hereditárias”. Como exemplos notórios de parentesco, tem-se os casos de Lobão Filho (PMDB-MA), que assumiu a vaga no lugar do pai, Edison Lobão (PMDB-MA), quando este foi convidado para o Ministério de Minas e Energia, além de Assis Gurcaz (PDT-RO), que assumiu no lugar do filho, Acir Gurcaz (PDT-RO), durante afastamento por motivo de saúde em 2012. Mas há vários outros casos, como Reditario Cassol (PP-RO), pai e suplente do Senador Ivo Cassol (PP-RO), ou Euclydes e Ada Mello, primos do Senador Fernando Collor (PTB-AL). Outra prática comum é a ocupação da suplência por empresários e generosos doadores, os quais financiam a campanha do Senador titular na expectativa de, um dia, virem a ocupar o cargo.

Qualquer que seja o caso, a livre indicação de suplentes, os quais podem vir a ocupar o cargo de Senador da República sem que os eleitores tenham lhes destinado, intencionalmente, um voto sequer, representa grave afronta ao princípio da representação popular. Em 2013, a ocupação de mandatos de Senador por suplentes alcançava a marca de 20%, ou um a cada cinco[1].

[1] http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/os-suplentes-a-boa-vida-dos-senadores-sem-voto